O poema lê-se
de outra maneira
o poema
fechado na caixa
no meio da sala
é preciso tirá-lo
do caminho
o poema
embora por vezes
se ouçam vozes
assombração
o poema
passando-lhe a mão
no lombo afiado
ele dobra
e ao abrir a caixa
o ar que está fora
não se mistura
com o ar que está dentro
calado
à espera
de saltar-nos
ao pescoço
22.11.10
ela disse rosas vermelhas (a partir de oscar wilde)
se eu lhe trouxesse rosas vermelhas
rosas vermelhas
ela disse
se em todo o meu jardim
ela disse
rosas vermelhas
rosas vermelhas
ela disse
que dançaria comigo
em todo o meu jardim
rosas vermelhas
ela disse
que dançaria comigo
em todo o meu jardim
rosas vermelhas
ela disse
ela dançaria comigo
rosas vermelhas
no meu jardim
ela disse
ela dançaria comigo
rosas vermelhas
no meu jardim
rosas vermelhas
ela disse
ela disse
se eu lhe trouxesse
rosas
rosas
rosas
rosas vermelhas
vermelhas
ela disse
rosas
vermelhas
ela disse
mas em todo o meu jardim
ela dançaria comigo
ela dançaria comigo
se ela disse
em todo o meu jardim
rosas vermelhas
rosas vermelhas
ela disse
ela disse que
dançaria com
rosas vermelhas
rosas vermelhas
mas se eu lhe trouxesse
rosas vermelhas
rosas vermelhas
mas se eu lhe trouxesse
rosas vermelhas
ela
4.11.10
Lisboa no Inverno
Lisboa no Inverno começa em Agosto
Quando os olhos nos doem
Na página do livro que se fez cinzenta
Sem que déssemos por isso
Lisboa no Inverno começa atrás dos prédios
Quando o sol desaparece mais cedo
E desaparece e desaparece e desaparece
Até ao fim da rua
E fica uma sombra morna por baixo das árvores
Uma sombra larga e luminosa
Tão grande como o sol que se pôs.
Esticamo-nos e reviramo-nos no sofá
Ou debruçamo-nos sobre a mesa
Para evitar um acção mais brusca que interrompa a leitura
Como levantarmo-nos para ligar os candeeiros e acender a casa
Só mais um bocadinho, só mais um bocadinho
Como no sono bom, no duche quente
Que eu agora não quero acordar
Não quero este folclore das estações às cotoveladas no mundo
Agora eu, agora eu
A tirar-me deste torpor
Se ainda agora havia dia
Quase até à meia-noite
Um dia de braços abertos
Como um peixe gigante
Acesa, a casa é uma janela amarela quase invisível
Na noite de Agosto em que o Inverno chega à cidade
E se deixa ficar quieto para ninguém perceber
E o sol que se pôs atrás dos prédios se demora ainda
Aberto
Sobre o rio
Quando os olhos nos doem
Na página do livro que se fez cinzenta
Sem que déssemos por isso
Lisboa no Inverno começa atrás dos prédios
Quando o sol desaparece mais cedo
E desaparece e desaparece e desaparece
Até ao fim da rua
E fica uma sombra morna por baixo das árvores
Uma sombra larga e luminosa
Tão grande como o sol que se pôs.
Esticamo-nos e reviramo-nos no sofá
Ou debruçamo-nos sobre a mesa
Para evitar um acção mais brusca que interrompa a leitura
Como levantarmo-nos para ligar os candeeiros e acender a casa
Só mais um bocadinho, só mais um bocadinho
Como no sono bom, no duche quente
Que eu agora não quero acordar
Não quero este folclore das estações às cotoveladas no mundo
Agora eu, agora eu
A tirar-me deste torpor
Se ainda agora havia dia
Quase até à meia-noite
Um dia de braços abertos
Como um peixe gigante
Acesa, a casa é uma janela amarela quase invisível
Na noite de Agosto em que o Inverno chega à cidade
E se deixa ficar quieto para ninguém perceber
E o sol que se pôs atrás dos prédios se demora ainda
Aberto
Sobre o rio
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